Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Cordel Encantado superou todas as minhas expectativas (artigo Contigo!)

O cometa que cruzou o céu do Brasil e foi visto até no tão, tão, tão distante reino de Seráfia do Norte, não foi um prenúncio apenas de que algo muito importante aconteceria na vida do bondoso rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). Ele anunciou também que uma novela muito especial estava estreando na tela da Rede Globo. Cordel Encantado tem todos os ingredientes típicos de um folhetim (a luta do bem contra o mal, a mocinha sofredora, o núcleo cômico…), mas tudo está embalado numa roupagem nova e especial. Quando você poderia imaginar que os perigosos cangaceiros do sertāo nordestino dividiriam a cena com reis e rainhas dos contos de fadas?

O mais bacana de Cordel Encantado é o descompromisso. Como não está presa a qualquer tempo histórico, tudo é possível nessa história. Telefone e carros em plena Idade Média, linguajar moderno e muito humor non sense… Tudo é permitido! Mas as autoras, Duca Rachid e Thelma Guedes, não se aproveitam de tamanha liberdade artística e não abrem mão da coerência. Mesmo em cenas mais complexas, como a fuga da Rainha Cristina (Alinne Moraes) com sua bebezinha, teve total coerência.

Que mãe não seria capaz de arriscar a própria vida e até entregar sua filhinha a uma estranha para impedir que ela fosse morta? Essa coesão entre a licença poética com a credibilidade deu o tom da primeira semana da novela. Tudo estava no seu lugar, nos mínimos detalhes… Menos Luís Fernando Guimarães, que parecia um peixe fora d’água perto de seus colegas de elenco.

Os atores, aliás, estavam impecáveis. Alinne Moraes e Thiago Lacerda fizeram apenas o capítulo de estreia e se saíram muito bem. Especialmente ela, que convenceu e emocionou exibindo a dor de uma mãe ao abandonar a própria filha. Já Thiago, até no visual, lembrou muito o Giuseppe Garibaldi de A Casa das Sete Mulheres. Carmo Dalla Vecchia, Matheus Nachtergaele, Cláudia Ohana, Reginaldo Faria, Marcos Caruso, Osmar Prado e Mariana Lima também deram conta do recado. Já Zezé Polessa mais uma vez roubou todas as cenas em que apareceu na pele da histérica e deslumbrada Ternurinha.

Débora Bloch foi outra que arrasou como a bruxa má Úrsula. Em apenas um capítulo, a peste trancafiou o marido, Petrus (Felipe Camargo), numa torre usando uma máscara de ferro, mandou Nicolau (Luís Fernando Guimarães) matar Cristina e Aurora e ainda roubou o tesouro do Rei Augusto. Imagine o que ela ainda fará? Entre as revelações, Domingos Montagner superou todas as expectativas como o cangaceiro Herculano e teve a chance de mostrar como é versátil, já que esteve no ar também, em Divã, como o sofisticado Carlos. E Luana Martau (da série Clandestinos – O Sonho Começou) divertiu como a mimada Carlota. E não é que ela se parece com Débora Bloch, sua mãe na novela?

Irrepreensíveis também os quatro protagonistas. Bianca Bin, Cauã Reymond e Bruno Gagliasso emendaram Passione com Cordel Encantado e isso é péssimo porque desgasta as imagens dos atores e cansa a retina do público. Mas, felizmente, os três conseguiram criar personalidades bem distintas para seus novos papeis. Já disse várias vezes que não gosto de Cauã Reymond, mas, até agora, não tenho nada contra a performance do rapaz.

Bruno estreou no segundo capítulo da novela numa ótima cena e deu um ar de ironia para seu Timóteo, que foi perfeito para marcar a falta de caráter do vilão da história. Completando o quarteto, Nathália Dill estava bárbara como Doralice. Adoro a atriz, que vem crescendo a cada novo trabalho e Dora será outro grande desafio, já que a moça muitas vezes fingirá ser um homem para realizar uma missão secreta. Vamos ver como ela se sairá…

Cordel Encantado inova também na parte técnica. A fotografia feita em película – característica do cinema – funcionou muito bem para as cenas diurnas, todas lindíssimas. As sequências de batalha do primeiro capítulo, então, pareciam pinturas. Mas os takes realizados à noite tiveram problemas. As imagens ficaram escuras demais e, dependendo do aparelho de televisão que você tiver em casa, praticamente não conseguia ver os atores. Um detalhe que, certamente, será solucionado no decorrer dos capítulos.

Caí de amores ainda pelos figurinos, luxuosos e de bom gosto no núcleo da realeza, e absolutamente perfeitos na parte brasileira da novela. Os cenários também são muito bonitos e a abertura, que dá movimento à tradicional literatura de cordel, é das mais bonitas produzidas pela Globo. Na estreia da novela, impliquei um pouco com a música Minha Princesa Cordel, composta por Gilberto Gil e interpretada por ele e Roberta Sá. Eu preferia um xote ou bom forró de Dominguinhos, mas aprendi a gostar da canção. É bem bonitinha mesmo e até que casou com as imagens da abertura.

Fiquei muito feliz porque a primeira semana de Cordel Encantado superou todas as minhas expectativas. E a cada fim de capítulo fiquei com um gostinho de quero mais. Só espero que o problema de atraso das gravações (a novela está apenas com dois capítulos prontos, além do que vai ao ar) não prejudique essa pequena obra-prima de nossa teledramaturgia.

 

linkhttp://contigo.abril.com.br/blog/jorge-brasil/2011/04/15/cordel-encantado-superou-todas-as-minhas-expectativas/

publicado por artedetodos às 13:36
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